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Aeronáutica recolhe dados sobre OVNIS. Folha de São Paulo.

1997 · SP · Ministério da Aeronáutica

Código de referência
BR DFANBSB ARX.0.0.490
Período
1997
Local
SP
Órgão
Ministério da Aeronáutica
Documentos
Relato
Páginas
2

Resumo do caso

conteúdo editorial do site

Recorte da Folha de S.Paulo de 11 de maio de 1997, preservado no Arquivo Nacional, registra o papel do Nucomdabra — Núcleo do Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro — como principal centro de referência governamental para relatos de objetos voadores não identificados. O Ministério da Aeronáutica afirmava oficialmente limitar-se a receber e arquivar informações, negando qualquer investigação formal por ausência de diretriz específica nesse sentido. Contudo, o ufólogo Cláudio Suenaga documentou resposta do órgão às fotos que lhe enviara: um parecer preliminar e um questionário-padrão de 14 itens sobre as características da suposta observação, sugerindo envolvimento mais ativo do que o admitido publicamente.

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ARX. 490, pd P/419 FOLHA DE S.PAULO domingo, 11 de maio de 1997 cotidiano 3H 5 arquivox2 Ministério afirma não investigar supostos casos; ufólogo tem documentos que mostram o interesse do órgão Aeronáutica recolhe dados sobre óvnis NATV ; a Divulgação da Reportagem Local O ufólogo Cláudio Suenaga, au- Eras tor da tese de mestrado sobre óv- Série tem Dentro do governo, o principal | nis, constatou em 1991 que o Nu- fãs em todo NT o ig E E centro de referência sobre objetos comdabra faz mais do que apenas voadores não-identificados ficano arquivar informações sobre supos- Ministério da Aeronáutica, no Nú- tosdiscos voadores. cleo do Comando de Defesa Ae- Suenaga enviou ao órgão fotos 0 mundo roespacial Brasileiro, conhecido 'quetirou em Guaianazes (zona les- pela sigla Nucomdabra. tede SP) de um suposto óvni. da Reportagem Local A forma de atuação desse núcleo Eae é alvo de muita discussão. Cubo Parecer preliminar logos juram que o Nucomdabra in- Em resposta, o então major-avia- vestiga aparições de óvnis, desloca dor Mardem José de Andrade, do agentes para oslocaisondeelespo- Nucomdabra, enviou a Suenaga dem ter aparecido emonitoraoes- ' um “parecer preliminar” sobre as paço aéreo brasileiro atrás de mo- - fotos, no qual diz que a luz que se * vimentações suspeitas. vê no céu “parece tratar-se de um A Aeronáutica nega. “O quefaze- rastro de condensação (jet stre- moséreceber informaçõesearqui- am), relativo a uma aeronave em var, arquivar, arquivar. Por que grandealtitude”. não investigamos? Porque não Andrade também enviou um existe uma diretriz específicanesse questionário-padrão, no qual se sentido”, diz o brigadeiro José pede uma série de informações so- Montgomeri Rebouças, chefe do breo óvni, tais como a “posição do Centro de Comunicação Social do objeto”, a sua forma, tamanho, “Arquivo X” foi um fenôme- no televisivo dos anos 90 nos EUA. Ganhou destaque no ho- rário nobre, vários prêmios Emmy e uma legião de fãs no mundo todo. Criada por Chris Carter, a sé- rie traz dois agentes do FBI: Fox Mulder, que teve a irmã seques- trada misteriosamente e acre- dita na existência de seres ex- traterrestres, e Dana Scully, de- signada para ser parceira de Mulder. Juntos, investigam ca- sos fora do comum. Ministério da Aeronáutica. cor, velocidade e rastro, a trajetó- São acompanhados por im- “Deve ser um assunto palpitante, riaea duração da observação. portantes personagens coadju- porque recebemos muitas infor- O questionário, com 14 itens, está vantes, como o “informante” Garganta Profunda. O mote principal é sempre o mações, mas não damostratamen- | impresso num papel sem timbre, to científico a esses relatos, nem da mesma forma que a carta do consideramos discos voadores co- major-aviador Mardem de Andra- mistério sobre o que está por mo ameaça aérea”, diz ele. de, que é assinada. (MSy) trás dos crimes. Também não falta o toque de conspiração, Ge . quando todas as evidências en- Detenção de SP vive Folha debate na terça contradas pelos agentes são ameaça de greve na 22 Plano Diretor de SP misteriosamente desviadas pa- ra enormes arquivos sem no- Osagentes carcerários da Casa de A Folha promove na próxima me, num galpão secreto do FBI. Hoje, após quatro tempora- das de exibição, “Arquivo X” já deu origem a histórias em qua- drinhos, cards e transformou Detenção, em São Paulo, amea- terça-feira, dia 13, o debate “O çam cruzar os braços a partir de Plano Diretor de São Paulo”. Parti- amanhã em protesto contra a falta cipam o secretário municipal do de segurança no trabalho. Eles te- Planejamento, Gilberto Kassab, o . mem ser tomados reféns de pre- diretor do Secovi Ronald Dumani, os atores Gillan Anderson : - : ei : E sos, como ocorreu na última se- e os arquitetos Cândido Malta (Scully) e David Duchovny E a ANS E RÉ O mA Bras gunda-feira. Na terça e quarta pas- Campos Filho (vice-presidente do (Mulder) em símbolos sexuais. A agente Dana Scully, da série “Arquivo X”, que passa toda semana na Fox (TV paga) e Record (aberta sadas, assembléias que decidiram Defenda São Paulo) e Regina Me- pela paralisação. ver (USP). O evento será às 19h30.

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3m4 cotidiano domingo, 11 de maio de 1997 FOLHA DE S.PAULO ARXK.AIIO, pe dou arquivox Documentos do extinto Dops mostram que ufólogos brasileiros foram espionados pelos serviços de informação Regime militar investigou óvnis e ETs MAURICIO STYCER da Reportagem Local O regime militar brasileiro (1964-1985) investigou, nos anos 70, casos de supostos aparecimen- tos de discos voadores e espionou as atividades dos especialistas bra- sileiros em ETs (extraterrestres). Documentos do extinto Dops (Departamento de Ordem Política e Social), hoje guardados no Ar- quivo do Estado de São Paulo, mostram que os chamados servi- ços de informação perderam tem- po e dinheiro averiguando o “se- questro” de um comerciante pau- lista por tripulantes de um objeto voador não-identificado (óvni). Os documentos também mos- tram que o Dops chegou a convo- car para depor dois ufólogos, pes- soas que são estudiosas de óvnis (UFOs, em inglês), e infiltrou um agente para acompanhar as reu- niões periódicas de um grupo de apaixonados por discos voadores. Localizados pelo historiador Cláudio Tsuyoshi Suenaga, os do- cumentos confirmam algo que os ufólogos brasileiros sempre sus- peitaram, mas que a comunidade científica via apenas como mais um sintoma da mania de persegui- ção que acomete muitos desses es- tudiosos: “Os militares sempre se preocuparam com o fenômeno óv- ni”, diz Suenaga. “Arquivo X” O historiador, que prepara tese de mestrado sobre o tema na Unesp (Universidade Estadual Paulista), vai além: “É claro que existe um “Arquivo X” brasileiro. Até hoje existe preocupação do go- verno brasileiro com esse tema”. Suenaga está se referindo ao se- riado norte-americano de ficção científica “Arquivo X”, exibido no Brasil pelas TVs Record e Fox. O programa conta a história de dois agentes do FBI envolvidos na investigação de casos suposta- mente inexplicáveis (óvnis, ETs, paranormalidade etc), arquivados soba rubrica “arquivo X”. O FBI (o serviço secreto norte-a- mericano) jamais confirmou —a existência de um arquivo do gêne- ro —fato que ajuda a alimentar o “norme culto em torno do seriado, “á em seu quarto ano de existência. No Brasil, a Aeronáutica infor- ina oficialmente que não investiga Ovnis, mas há indícios que mos- ram exatamente o contrário (veja exto na página ao lado). Na avaliação de Cláudio Suena- sa, os documentos do Dops que encontrou mostram claramente jue o interesse original dos servi- cos de informação era pelo “fenô- neno óvni em si”. À medida que a investigação da polícia política evolui, o foco de tenção passa a se concentrar nas ttividades dos ufólogos, visando veriguar se praticavam algum ti- vo de atividade “subversiva”. “Os documentos que encontrei são apenas uma parte, uma peque- na parte, do “Arquivo Xº brasilei- ro”, diz Suenaga. Reprodução O médico Max Berezovsky em 74, quando integrava a Associação Brasileira de Estudos das Civilizações Extraterrestres e depôs à polícia sobre o caso Patero, ocorrido em Guarantã Dops queria saber se ufólogos eram “subversivos” da Reportagem Local A investigação “extraterrestre” do Dops tem origem num fato ocorrido no dia 28 de abril de 1974, nas proximidades de Guarantã (423 km a noroeste de São Paulo). Naquele dia, conforme relato en- viado ao diretor do Dops pelo de- legado Hermínio José Theodoro, “Guarantã foi abalada pela notícia de que o indivíduo Onilson Patero fora “sequestrado” por um “DISCO VOADOR" há (sic) 12 quilômetros desta cidade”. O caso Patero, como ficou co- nhecido, teve grande repercussão na mídia. Comerciante, estabeleci- do em Catanduva (385 km a no- roeste de São Paulo), ele afirmava tertido dois contatos com óvnis. O primeiro teria ocorrido em maio de 73, numa rodovia próxi- ma a Catanduva. No segundo “en- contro”, que causou maior alvoro- ço, Patero sumiu por seis dias. O carro do comerciante foi en- contrado abandonado numa ro- dovia no interior de São Paulo na manhã do dia 29 de abril e ele rea- pareceu após seis dias numa fazen- da em Colatina, no Espírito Santo. No relatório que enviou ao Dops, o delegado Theodoro observa que, ao narrar para jornalistas a sua via- gem num disco voador, Patero es- tava na companhia de quatro “elementos estudiosos da Asso- ciação de Estudos dos óvnis”. O delegado se apressa em identi- ficar os estudiosos e pedir ao Dops que os investigue, na tentativa de ajudar a esclarecer se, de fato, Onilson Patero viajou num disco voador de Guarantã a Colatina Romeu Tuma Em São Paulo, a foi por Roberto Quass, à coi época delegado-adjunto do Servi- ço de Informações (SI) do Dops. O SI era então comandado pelo hoje senador Romeu Tuma (PFL-SP), que, segundo mostra um documento, tomou conheci- mento da principal investigação sobre os óvnis “vistos” pelo co- merciante Onilson Patero. Entre os ufólogos que estiveram com Patero em Guarantã e serão investigados pelo Dops, estão dois dos pioneiros da ufologia no país, Max Berezovsky e Willi Wirtz. É o delegado Quass que toma os depoimentos de Berezovsky e Wirtz, à época integrantes da As- sociação Brasileira de Estudos das Civilizações Extraterrestres. Os depoimentos à polícia foram da- dos no dia 11 de outubro de 74, O PESQUISADOR Pensava que era paranóia de ufólogo” | daReportagem Local O historiador Cláudio Suena- ga, 26, é também um apaixona- do por fenômenos extraterres- tres. Ao encontrar os docu- mentos que comprovam as in- vestigações da polícia política, ficou aliviado. “Já havia ouvido, em reu- niões de ufólogos, que muitos tinham sido investigados pela ditadura. Mas podia ser mais uma paranóia de ufólogo”, diz. Com uma bolsa do CNPq (Conselho Nacional de Desen- volvimento Científico e Tecno- lógico), Suenaga espera até o fi- nal do ano defender sua tese, provisoriamente intitulada “De Mito a Realidade Históri- ca — Um estudo sobre os fenô- menos dos OVNIs”. Suenaga afirma acreditar na existência de óvnis. “Mas não como uma crença. Sou um pesquisador, estudioso”. (MSy) E] t 3 ' pd a O historiador Cláudio Suenaga, que escreve uma tese sobre óvnis quase seis meses após o caso Pate- ro aparecer nos jornais. “Os Invasores” O médico Berezovsky, ainda ho- je um ufólogo atuante em São Pau- lo, afirmou em seu depoimento que considerava verdadeiro o rela- to-de Onilson Patero sobre o seu ntro com um dis primeiro e o voador, mas via sinais de que o se- gundo encontro fora inventado. Por sua vez, 6 professor Ea morto, disseà que - rava falsos os dois “encontros” de Patero com discos voadores. Segundo Wirz, a história conta- da pelo comerciante de Catanduva era “completamente inconsisten- te, com muitos pormenores que lembram filmes de televisão, prin- cipalmente a série “Os Invasores”, A pedido da polícia, os dois ufó- logos fornecem informações sobre outros ufólogos e pedem que suas declarações sejam classificadas co- mo “confidenciais”, para “evitar que o sr. Onilson Patero, ao tomar conhecimento destas, explore mais uma vez o tema, chamando a atenção para a sua pessoa”. No final de outubro, o delegado Quass parece se dar por satisfeito com os depoimentos de Bere- zovsky Wirz e aceita a conclusão de que Onilson Patero é um “mi- tômamo”, que “apresenta certa alteração neurológica”. Reviravolta O seu relato é enviado ao delega- do Romeu Tuma, que o encami- nha ao então diretor-geral do Dops, Lúcio Vieira. O caso parece bo encerrado — ni; logos de São Paulo é que passam a serinvestigados. Um documento com carimbo do 2º Exército, enviado ao Serviço de Informações do Dops, relata que “tem havido reuniões de cunho duvidoso” na casa de Max Bere- zovsky e num clube israelita em Higienópolis (centro de SP). Nessas reuniões, “com a idéia de se realizar debates sobre Estudos das Civilizações Extraterrestres (discos voadores), buscam conta- tos com estudantes e outros ele- mentos, possivelmente ligados à subversão, para discussão e com- bate ao governo constituído”. É este relato anônimo que leva o Dops a infiltrar agentes nas reu- niões dos ufólogos paulistanos. Berezovsky tem certeza de que, no período, teve todos os seus tele- fones grampeados e era vigiado pela polícia. O que se pode afirmar com certeza é que um agente do Dops assistiu, disfarçado, uma reunião dos ufólogos, em 27 de ju- nho de 75, e relatou detalhes do que viu e ouviu a seus superiores. Gente crente Num texto saboroso, porque tea: a agente rolar surrcal, O agente relata que “ tindo inúmeras teorias e informa- ções sobre o assunto”. Mais adiante, o agente informa que “a posição do orador ficou manifesta sobre a existência de tais objetos, como civilizações de ou- tros planetas e galáxias, parecendo também evidente que a maioria dos presentes é aficionada e crente no assunto”. Por fim, o agente do Dops infor- ma que os ufólogos estão em cam- panha de novos sócios e, o mais importante, que não observou “qualquer comentário, atitude ou alusão política” no encontro. Assim, com a conclusão favorá- vel do agente, observa o historia- dor Cláudio Suenaga, “encerra- va-se um dos mais insólitos pro- cessos movidos durante o período pelo Estado brasileiro”. (MSy) OINVESTIGADO Desconfiava que havia um agente entre nós da Reportagem Local O médico Max Berezovsky, 67, se interessa por ufologia desde o final dos anos 40. No início da década de 70, ajudou a criar um centro de es- tudos de ufologia, que acabou sendo investigado pelo Dops. “Desconfiávamos que uma das pessoas que fazia parte da nossa associação era um agente infiltrado, mas não tínhamos certeza”, diz Berezovsky, que até hoje estuda o assunto. O médico já viu os documen- tos do Dops que tratam da in- vestigação a que foi submetido e não se surpreendeu. “Foi uma época conturbada”, diz. Berezovsky usa hipnose para, segundo ele, fazer regressão em pessoas que dizem ter tido con- tato com extraterrestres. “Já fiz em umas 70 pessoas. Uns 50% dos casos me pareceram verdadeiros”, diz. (MSy) o médico Max Berezovsky, que estuda ufologia e discos voadores Fabiano Accorsi/Folha Imagem. ARX. 490, p- dj ds

Fonte: Arquivo Nacional, fundo Objeto Voador Não Identificado (SIAN) — código de referência BR DFANBSB ARX.0.0.490.