Agora é em Ibiúna que discos raptam pessoas.
1969 · Local não identificado · Ministério da Aeronáutica
- Código de referência
- BR DFANBSB ARX.0.0.117
- Período
- 1969
- Local
- Local não identificado
- Órgão
- Ministério da Aeronáutica
- Documentos
- Recorte de imprensa
- Páginas
- 1
Resumo do caso
conteúdo editorial do siteRecorte de imprensa de 1969, preservado no Arquivo Nacional, registra a mobilização de jornalistas da capital paulista até a cidade de Ibiúna após relatos anônimos, feitos por telefone durante a madrugada, de que um disco voador teria pousado e seus tripulantes raptado um casal. Ao chegarem à cidade, os repórteres não encontraram confirmação do suposto rapto: a polícia local desconhecia qualquer ocorrência e moradores descartaram o episódio como trote. O documento também menciona que, nas semanas anteriores, já circulavam boatos em Ibiúna sobre bolas de luz percorrendo o céu noturno, relatos atribuídos a moradores de diferentes perfis sociais, incluindo advogados e médicos. O dossiê ilustra o clima de especulação e cobertura sensacionalista da imprensa em torno de avistamentos não identificados no interior do estado de São Paulo durante o período.
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Página 1
Dizem que um disco-voador baixou em Ibiuna e seus tripulantes raptaram um casal. As primeiras informações vieram pelo telefone, ontem de madrugada, logo aquela cidade ficou cheia de jornalistas * e curiosos. Não foi confirmado o rapto, a Policia não sabe de nada e muita gente goza a situação. uz psfá n9 M An 4060 AM v Mas, existem advogados, medicos e outras pessoas influentes em Ibiuna que falam de estranhos fenc o caso de duas bol diariamente percorr s, citando luminosas que 'o céu, sobre a cidade, despertando curiosidade e temor nos moradores. Os boatos e os testemunhos estão aqui. 14 A Bem 2) AGORA É EM IBIUNA QU Foi uma madrugada cal- ma, a de ontem. Alguns re- porteres estavam cochilando na Sala de Imprensa da Central de Policia, outros jogavam pad ) numa mesa de canto. restantes con- versavam, em voz baixa, pa- - ra não atrapalhar, Nada de crimes de morte, nem as- saltos ou ocorrencias que valessem o esforço de uma cobertura. Perto aas duas horas, o telefone tocou, todos pula- ram em suas cadeiras. Po- deria estar ali, naquele cha- mado, o grande caso, a man- chete do dia. Um rapaz moreno, de gravatinha bor- boleta e oculos, ganhou a corrida para o aparelho e ouviu a informação: — É de Ibiuna. Aconte- ceu um caso aqui. Uma des- graça. Desceu um disco voa-. dor, seus tripulantes rapta- ram um casal. Venham cor- rendo. O reporter pediu licença, cobriu o fone com uma das mãos e, virando-se para os colegas, falou com certa rai- va na voz: — Um gozador, gente, A essa hora, um cara falando - de discos voadores e coisas que tais. Que digo a ele? O pessoal ficou em sus- penso, Depois, o mais velho jornalista resolveu gozar o, informante, mandou: — Pergunte a ele se o dis- co é de 78 rotações ou 45. É o unico jeito de acabar com esses trotes. Bronca não re- solve, ele vai insistir. O rapaz de gravatinha borboleta e oculos não acei- tou a recomendação. Desli- gou sem mais conversa, cha+ teado. Recomeçou o jogo. Tambem a leitura. O caso ia caindo no esquecimento quando houve outro aviso, igual ao primeiro. Desta vez, o veterano resolveu: Olha, turma, vamos avisar as redações. Afinal, não custa nada. De repente, com tanta coisa estranha acontecendo, vai ver que houve mesmo o tal rapto e entramos pelo cano, Pen- sem nas caras dos nossos chefes. Houve o aviso, bem a tem- po, já que o pessoal da ra- dio-escuta, nos jornais, ti- nha captado o noticiario de uma emissora, tratando do mesmo caso, com gran- de sensacionalismo. Depois disso, a unica solução era ir a Ibiuna. Uma dezena de jornalistas, em varias viatu- ras, correu para lá, 74 QUILOMETROS DEPOIS Hora e meia mais tarde, setenta e quatro quilometros “tacio, de cinquenta e distantes da Capital, o local da ocorrencia. Havia nebli- na, densa, encobrindo o ca- sario, Ninguem nas ruas. Os reporteres cercaram um ta- xi-mirim de' São Roque. Dentro dele, o motorista e duas moças de São Paulo. Zé da Bronca, q volante, fi- cou surpreso com as pergun- tas sobre o disco voador: — Bobagem, garotos. Es- tou trabalhando aqui desde a noite, não ouvi nada a respeito. Acho que foram enganados, tem de ser trote. Ele engrenou uma marcha no carro e Sumiu com a bo- ca escancarada num sorri- so. Restou ir para a Dele- gacia de Policia, onde o sol- dado de plantão tambem co. meçou a rir, incredulo: — Que disco, nem vitrola. Andei nas ruas até o come- co da madrugada. Ninguem me falou sobre isso, Agora, na semana passada, corre- ram muitos boatos sobre se- res estranhos, gente de ou- tros mundos. Coisas bobas, de. gente que não tem o que fazer. Um pouco desiludidos, os reporteres sairam a passeio e acabaram: num posto de gasolina. O vigia José Anas- seis anos, começou a falar serio quando ouviu as primeiras perguntas: — Soube do tal.ra não aconteceu aqui bairro do Feital. quilometros. - Fica da cidade. EM VEZ DE DISCO, COCEIRA A proxima a falar é Ma- ria Aparecida, funcionaria de uma firma e cantora da radio local, nas horas vagas. Diz, enquanto arruma os ca- belos para sair na fotogra- fia: — Só mesmo com uma onda dessas para vocês apa- recerem, não é? Que disco, nada. É invenção de al- guem, desejo de promover Ibiuna. Mas, o que ninguem lembra de tratar é uma doença estranha que anda dando por aqui. ça de pele, que começa co- cando e depois vira ferida. E o nosso Posto de Saude está sem medico, há três meses, A mãe de Aparecida, do- na Hilda, convida para um café e tambem crê que é tu.. do boato. Acha que, se ti- vessem de descer na terra, os marcianos — ou seja lá quem for tratariam de pro-" curar lugar melhor. - Sorri: — Aqui, de estranho só houve estudante procurando um lugar para fugir da Po- lícia, durante aquele tal de ! congresso. Uma doen- | Há os que viram, mas poucos querem falar Os reporteres da Sala de Imprensa da Central de Po- que estavam antes dos cha- mados telefonicos, Bem de- pois, jornais decidiram que valia a pena mandar outros para Ibiuna, levantar infor- mações sobre os discos voa- dores e outros fenomenos que acontecem lá. Esses souberam de muitas ccisas. A primeira: objetos voadores, semelhantes a bo- las, de fogo, andam apare- cendo nos morros em torno da cidade. Quem viu? Ora, gente direita, de juizo, estu- do e mais o que quiserem Os moradores desfiim agum nomes, das testemunhas: — O -sehor Elias Fleury, don> da Fazenda Bonanza e diretor de uma firma impor- tante de São Paulo. O se- nhor Gaze Azem Tufaile, advogado na Capital. Outro advogado, o senhor Sebastião Junqueira Vilella, Dificil é conseguir conver- sar com eles. Ninguem quer publicidade, principalmente quando o assunto é disco voador. Temem o ridículo, a incompreensão. Por isso, o “|remedio,: para os jornalistas, é conversar com os cerres- pondente e com cs que tra- balham no jornal local. Alí, chovem as informações: + —'Tem alguma coisa acon- tecendo. Lá isso tem. Na Fazenda Bonanza, as bolas licia resolveram voltar para ' de fogo aparecem com fre- São Paulo. Comin seio cio quem mesmo dia. E ninguem por de falar mal das testemu- nhas. São: pessoas idoneas, noramis, educadas. Gente ncapaz de se promover num caso desses. Outros nomes de pessoas que viram os fenomenos vão surgindo: -Edgar Rosa, Se- bastião de tal, Antonio Bina. Chega a vez de ouvi-los, eles contam que as tais bolas têm a forma circular, são lumi- nosas, meio amarelas. Cor- rem juntas, devagar, não produzem nenhum ruido, Edgar acha que é coisa na- tural, para ele, podem ser produzidas por emanações de gases de uma nascente de agua radioativa. Há quem fale em fogos fa- tuos e quem-diga que o so- lo de Ibiuna tem proprieda- des minerais capazes de ge- rar aquele, e Outros fenome- nos. Um comerciante asse- gura: e — Está EsMecendo o-mes- mo que em Lins. Sabe-se que lá existem vastos depo- stos de magnesio, que ema- nam gasese*mo entrar em composição Com outros ele- mentos da natureza. Então, o clarão no ar é essa conver- sa boba 'de-discos. Isso é fruto da, imaginação popu- lar. 7
Fonte: Arquivo Nacional, fundo Objeto Voador Não Identificado (SIAN) — código de referência BR DFANBSB ARX.0.0.117.