Cautela das autoridades sobre disco visto em Goiás.
1969 · GO · Ministério da Aeronáutica
- Código de referência
- BR DFANBSB ARX.0.0.64
- Período
- 1969
- Local
- GO
- Órgão
- Ministério da Aeronáutica
- Documentos
- Recorte de imprensa
- Páginas
- 1
Resumo do caso
conteúdo editorial do siteRecorte de imprensa do Correio Braziliense (Brasília, maio de 1969), preservado no fundo do Arquivo Nacional/SIAN, que noticia a repercussão de supostas fotografias de um disco voador atribuídas ao fotógrafo Pepe Martínez na Serra Dourada, no município de Goiás (antiga capital do estado). A reportagem registra a cautela da Aeronáutica e o ceticismo de setores universitários, citando peritos que estranharam a nitidez excessiva das imagens, além de um segundo relato de objeto luminoso na região de Jaraguá. O texto também menciona que, à época, não havia órgão oficial para tratar do tema e que estava em fase de criação, em São Paulo, o Centro de Investigação de Objetos Aéreos Não Identificados (CIOANI).
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Página 1
[c. BRAZILIENSE - DF| 29 MAI1969 Cautela das autoridades sobre disco visto em Goiás Cautela nos setores da Aeronáutica, crença na pos- sibilidade de discos-voado- res e ceticismo quanto à procedência extrater- restre de "objetos não iden- tificados", nos meios uni- versitários - eis a reação verificada em Brasília, quanto às fotografias de um disco -voador, presumivel- mente tiradas em Serra Dourada e divulgadas, com destaque, pela imprensa de Goiânia, ontem. Enquanto, na Capital goia- na, o fotôgrafo Pepe Martf- nez reafirma ter visto, em companhia da espôsa e de dois funcionários de sua lo- ja de artigos fotográficos, um | disco-voador voando baixinho perto da encosta de Serra Dourada, no Municí- pio de Goiás Velho, durante um fim-de-semana em que descansava na fazenda "Areal", Pepe Martínez exibiu on- . tem, à imprensa, três foto- grafias, nas quais, realmen- te, odisco aparece com mui- ta nitidez, do objeto voador, cujos negativos pretendia entregar às autoridades do Ministério da Aeronáutica. Segundo Pepe Martínez, êle, Dona Maria de Morais Mar- tínez, e os funcionários Da- masceno e Aparecido, de sua loja de material fotográ- fico,estavam de passeio em Serra Dourada, aproveitan- do um fim-de-semana, há um mês, na fazenda "Areal" Município de Goiás, antiga Capital do Estado. O objeto teria surgido de repente, voando a pouca al- tura, fazendo evoluções não muito rápidas, as quais ace- lerou gradativamente, en- quanto êle acionava uma cã- mara "Olimpus-Pen", co- lhendo três chapas. Diz o fotôgrato que, temendo a curiosidade popular, prefe- riu guardar sigilo doassun- to. Anteontem, como o mê- dico Wilson, proprietário da fazenda "Areal", ficou sa- bendo do caso e lhe pediu cópias das fotos, o assunto chegou ao conhecimento dos jornais e Pepe decidiu que- brar o sigilo. O fotógrafo Pepe Martf- nez é conhecido no ramo profissional a que se dedica como homem sério, razão pela qual a história que con- tou mereceu alguma consi- deração, ontem, em Goiânia. Mas alguns peritos que examinaram as fotografias fizeram, dentre outros, os seguintes reparos: 1) elas são por demais perfeitas e nítidas, como se tivessem sido colhidas com uma sere- nidade que, diante de um aparecimento tão sensacio- nal, muito dificilmente con- seguiria manter a pessoa que as fizesse; 2) o disco tem tôdas as características da imagem tradicional que se faz dêsse objeto. EXPECTATIVA Goiânia, 22 (M)- A po- pulação do Vale doSão Fran- cisco viveu intensa expec- tativa com a notícia da apa- rição de um estranho objeto luminoso e que teria caído no Município de Jaraguá, A informação também chegou a Anápolis, de onde se des- locaram a'guns jornalistas para aquela cidade, com a finalidade de apurar o fato. A pessoa que teria presen- ciado a decolagem do obje- to, o lavrador Paulo Alves Rezende, afirmou que, quando safa de sua residên- cia na região denominada "Catingueiro", próximo a Jaraguá, foi surpreendido pela rápida decolagem do estranho objeto luminoso, que caiu a uma distância de aproximadamente quinhen- tos metros. Inicialmente não deu maior importância ao fato, mas, posteriormen-= te, ao comentar o assunto com um companheiro, re- solveu fazer uma completa busca ao local, nada encon- trando, entretanto, Depois, contou o que se passara a diversas pessoas de Jara- guã e logo se formaram gru- pos de caça ao misterioso objeto. Sabe-se que um dos grupos é chefiado pelo prô- prio Presidente da Câma- ra Municipal, sendo que as buscas até agora realizadas resultaram infrutíferas, VAISER ESTUDADO Enquanto isso, em Brasí- lia, uma fonte do Ministério da Aeronáutica e da 6a. Zo- na Aérea: revelou ao "Cor- reio Braziliense" que não se pode dar nenhuma infor- mação oficial aêsse respei- to, pois não existe um ór- gão especializado na maté- ria. O assunto está sendo estudado e encontra-se em fase de criação, na 4a, Zo- na Aérea, em São Paulo, na Praça Oswaldo de Vicenzo no. 200, o Centro de Inves- tigação de Objetos Aéreos Não Identificados, CIOANI, que, apôs a sua oficializa- ção, será o órgão encarre- gado de estudar êsses ca- sos "documentados". ACREDITA Entretanto o Coordenador da Faculdade de Tecnologia da Universidade de Brasília, Professor Uchoa, falando a respeito do problema dos discos-voadores e das foto- grafias em questão, decla- rou que, "acostumado, co- mo engenheiro, a manipular dados e,posteriormente, apôs análises, experimen- tar, é difícil emitir uma opi- nião sôbre o assunto em que os dados, apesar de serem numerosos, fogem da possi- bilidade de manipulá-los pa- ra concluir. Entretanto, emitir uma opinião, mesmo sem se ter a possibilidade de análises mais profundas, é um direito que assiste a qualquer pessoa; assim,po- deria dizer, como extrapo- lação de raciocínio, que ve- rifico a grande possibilida- de de sua existência". Opinando sôbre os fatos em questão,limitou-se a di- zer que não era fotógrafo nem especialista no assun- to, escusando-se, por tais motivos, a opinar a respeito delas, Finalizando, declarou que "existem muitos distúr- bios que foram feitos sôbre a veracidade de fotografias publicadas, principalmente desde 1958, depois de passa- rem por uma análise acura- da; comissões encarregadas de tais avaliações concluí- ram pela veracidade de umas ea falsidade de outras; pelo fato de não ser fotôógra- grato, repito, nem especia- lista no campo, não posso; com precisão, pois seria le- viandade, afirmar da sua veracidade ou não", NAVES TERRENAS Já oProfessorFoerth- mann, do Centro de Cursos Visuais, declarou, inicial- mente, que acha que os dis- cos-voadores são aeronaves experimentais da própria Terra, russas, americanas, ou de qualquer outra potên- cia desenvolvida. Falando sôbre a possível autentici- dade das fotografias tiradas em Serra Dourada, disse que, ' apesar de sua nitidez, não pode estabelecer pontos de referência suficientes a se- rem examinados para o es- tabelecimento de um juízo a respeito de sua autentici- dade ou não; asseverou que mesmo através de negativos será difícil chegar-sea uma conclusão, pois que pode ser um objeto pequeno jogado no ar.
Fonte: Arquivo Nacional, fundo Objeto Voador Não Identificado (SIAN) — código de referência BR DFANBSB ARX.0.0.64.