Desclassificado

O disco voador.

1969 · Local não identificado · Ministério da Aeronáutica

Código de referência
BR DFANBSB ARX.0.0.96
Período
1969
Local
Local não identificado
Órgão
Ministério da Aeronáutica
Documentos
Recorte de imprensa
Páginas
1

Resumo do caso

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Recorte de imprensa de 1969 preservado no fundo de OVNIs do Arquivo Nacional (SIAN), o texto intitulado "O disco voador" é uma crônica de tom humorístico, e não um relato de avistamento. Narra, em chave satírica, como o personagem Pancrácio reúne a vizinhança ao apontar um objeto luminoso no céu, que todos passam a tomar por disco voador, chegando a discutir se teria vindo de Marte ou de Vênus. Ao final, o suposto objeto se revela apenas fogos de artifício — buscapés e foguetes —, zombando da febre de discos voadores que tomava o noticiário da época. O documento serve como registro de como o tema repercutia no imaginário popular brasileiro em 1969.

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O DISCO VOADOR Pancrácio via É telovisão tranq! laménto ando! resolveu dar uma espiada pela janela, Sentiu o coração na bôca, Catucou a mulher: -— Lindonéia | você sabe que eu sempre -fuí um homem ponderado e que nunca acreditou em boba- gem! Sabe também que não sou de'me impressio* mar sem razão! Sabe, enfim. que não sou nenhuma bêsta! Vo — E dai?” — quis saber Lindonéia, chateada por ter sido obrigada a inierromper e tricô. Pan- crácio deu um salto da cadeira: — Vi um disco voador! A mulher leu nos jornais que, efetivamente, os «Invasores» estão passeando aí por cima e Correu pro jardim, Viu também j — Caramba. é redondo! Pancrácio meteu-lhs o dedo na cara: — E você queria que um disco voador fôsse quadrado, sua bêsta? Os meninos sairam correndo “Pela rua, anun- elahdo a descoberta de Pancrácio — Papai localizou, um disco voador! Papai lo- eálizou.. Janelas começarm a se abrir. Um velhota tipo cangaceiro aposentado resmungou: — Vou deixar o quarto quente e apanhar o ven- to frio da rua, mas valé a pena! Num minuto a rua tava assim de gente, Nos postes, trepados nos muros e em árvores, homens e mulheres viam o minúsculo obja.o luminos> varar o céu em velocidade pequena, Pancrácio batia no próprio peito: — Fui eu eu que descobri o disco voador! Eu, eu! «Seu» Avelar, dono do armazém, aconselhou-o: -- Pancrácio, você deve ir à Polícia, homem! Já pensou? Pode até ganhar uma medalha! O tal velhote com cara de cangaceiro aposen- tado começou a”tossir em tôdas as direções, Ru- minou. — Droga de bronquite! Sou até capaz de mor- rer por estar pegando êsse frio gelado! Mag morro realizado: vi um disco voador; afinal! Pancrácio era cumprimentado por todos, Fol quem descobriu o disco voador. Um mulato abra-, u-o; € — Quero pedir desculpas por um mau pensa- mento! Quando vim pra rua fiz uma jura: se fôsse mentira fazia o senhor botar o bloço na rua! Olha, trouxe até o c322! Pancrácio estremeceu g procurou dar fôrcã: — É um disco, olha lá, é um disco voador da verdade, meu caro! O mulato estava convêncido: "+ — Sim, realmente! Por isso estou lhe pedindo desculpas pelo mau pensamento! Tava todo mundo de ôlho pregado no objeto misterioso que emitia luminosidade e movia-se em linha reta, Uma senhora opinou: —- Pra mim vem de Marte! Outra. consertou: — Que de Marte uma porcaria! Pelo jeito dêle correr no céu tá na cara que veio de Vênus! Olha como rebola! . O tal mulato do mau pensamento já ia dar ajia opinião quando o «disco voador» soltou o pri- meiro buscapé, Depois veio um foguete de tres tiros e, por fim, «lagrimas de Nossa Senhoras. Pancrágio não teva como explicar nem pra onde correr. ARX 26, psi

Fonte: Arquivo Nacional, fundo Objeto Voador Não Identificado (SIAN) — código de referência BR DFANBSB ARX.0.0.96.