É um ET? Imagens de autópsias feitas em supostos seres extraterrestres provocam polêmica nos Estados Unidos e Inglaterra. Isto É, n. 1348.
1995 · Local não identificado · Ministério da Aeronáutica
- Código de referência
- BR DFANBSB ARX.0.0.400
- Período
- 1995
- Local
- Local não identificado
- Órgão
- Ministério da Aeronáutica
- Documentos
- Relato
- Páginas
- 10
Resumo do caso
conteúdo editorial do siteRecorte da revista Isto É (n. 1348, 1995), preservado no Arquivo Nacional, registra a polêmica internacional gerada pela exibição de filmes que supostamente mostrariam autópsias realizadas em seres extraterrestres, atribuídas a militares americanos e vinculadas ao incidente de Roswell, Novo México, em 1947. Os documentários foram adquiridos pelo produtor britânico Ray Santilli, que alegou tê-los comprado de um cinegrafista militar anônimo, e estavam programados para ser transmitidos mundialmente, inclusive pela Rede Globo no Brasil. Especialistas ouvidos pela revista, como o patologista americano John Wilmore e o deputado Steven Schiff, manifestaram ceticismo quanto à autenticidade das imagens, classificando-as como possível fraude bem elaborada. O documento ilustra a repercussão que o tema dos objetos voadores não identificados alcançava na imprensa e na opinião pública brasileira na década de 1990.
Documento digitalizado
Ative o JavaScript para folhear todas as páginas e usar o zoom.
Transcrição automática (OCR)
Texto extraído automaticamente dos documentos digitalizados — pode conter erros de leitura. O scan original prevalece.
Página 1
Imagens de autópsias feitas em supostos seres extraterrestres provocam polêmica - nos EUA e Inglaterra OSMAR FREITAS JR., DE NOVA YORK Desde que o flamengo Rem- brandt pintou seu famoso qua- dro Lição de anatomia, no sécu- lo XVII, o mundo não via uma dissecação de cadáver tão sen- sacional. Na semana passada, o documentarista britânico John Purdie, da Union Pictures, mos trou a pessoas escolhidas dois filmes contendo autópsias de corpos de supostos extraterrestres. Em cada seg- mento, filmado em preto-e-branco, se- res humanóides vão sendo destrincha- dos por presumíveis cirurgiões milita- res americanos, usando instrumental do final da década de 40. Um dos exami- nados seria do sexo feminino, grávida, * Eontendo seis dedos em cada mão e pé e com um cérebro suspeitamente pare- cido com um fígado de boi. Suas arti- culações e musculatura, porém, são in- Cs comodamente semelhantes às de huma- nos. Os ETs teriam sido vítimas de um desastre cósmico, quando sua nave es- Tear “Cada um fará seu julgamento” t britânico Ray Santilli, dono da Merlin Production, uma produ- tora independente, está seguro de | que ds imagens mostrando autóp- À á ACE a e mr sias em extraterrestres são verda- deiras. Foi ele quem comprou os ousa a escpue ap ans & americano que trabalhou para o filmes de um cinegrafista militar. k | Exército, Força Aérea e Forças Es- EEEULS pacial se espatifou perto de Roswell, em pleno deserto do Novo México, em 1947. O deputado Steven Schiff, repre- sentante daquele Estado no Congresso dos EUA e um dos mais empenhados em esclarecer o incidente, não atesta a veracidade dos filmes. “Acho que tudo não passa de embuste, embora muito bem realizado”, diz. Mas sua opinião tem pouco peso, num planeta ávido por notícias de outras partes do uni- verso. A polêmica sobre a veracidade ou não dos filmes ganhará contornos mundiais. No próximo dia 28, a su- peciais. Na semana passada, Santilli conversou com a reportagem de 1S- TOÉ, em Londres. ISTOÉ — Quais as precauções que o sr. tomou antes de comprár os filmes de um cinegrafista que prefere se manter no anonimato? Santilli - O cinegrafista militar prefere não se identificar, mas in- vestiguei toda a sua vida antes de fazer o negócio. Trata-se de uma pessoa comum. Um homem nos seus 80 anos, que nunca fez muito dinheiro na vida. É casado M ARK4COyp. dão m ET? posta autópsia feita nos even- tuais ETs será transmitida por redes de televisão para todo o planeta. No Brasil, as imagens serão transmitidas pela Rede Giobo. Na quarta-feira 26, o es- critório da emissora em Lon- dres confirmou a ISTOÉ a compra dos direitos para a re- produção dos documentários. Algumas imagens da disseca- ção de ETs já tinham sido anunciadas no meio de ufolo- o Bistas em abril último, sem cau- Ro sar grande sensação. Mas com 3 o relançamento de agora, os fil- minhos finalmente começaram é a correr o mundo. Pela rede In- 2 ternet de computadores era pos- sível ver os pequeninos. São cabeçudos, sem pêlos e pálidos. Têm olhos escuros, frios, oblíquos e enor- mes, que mais parecem óculos “gati- nho”, em voga no fim dos anos 40. Quem viu o filme todo, como o pa- tologista americano John Wilmore, do Women's Hospital de Washington, diz que os seres, quando abertos, não apre- sentam intestinos. “Os médicos reali- zando aquela autópsia pareciam cirur- giões e não patologistas. Não posso atestar pela autenticidade daqueles cor- pos, porque os filmes são mesmo mui- to ruins. Cheira a piada”, disse Wil- more a ISTOÉ. De qualquer modo, os com a mesma mulher há SO anos e tem estabilidade mental. Tenho cer- teza de que ele estava em Roswell na época do acidente com os ETs. ISTOÉ - Como o sr. recebe as dúvi- ' das levantadas por diversos ci- entistas a respeito da veracida- de do filme? Santillil - As pessoas vão avali- ar as imagens por elas mesmas. * bre as imagens confirmam que K as criaturas são de carne é osso, Obviamente, os cientistas não que- 1ISTOÉNI48-21805 code Os relatórios médicos feitos so- -
Página 2
“EPE E VEN Sader - “filmes prometem ser sucesso de audi- ência e vão colocar mais lenha na fo- gueira de um episódio que estava meio apagado. Trata-se do Caso Roswell, nome da cidade onde os ETs suposta- mente despencaram em 1947. A histó- ria tem sido perseguida e citada por 'ologistas por várias décadas e gerou mes, livros e teorias conspiratórias. A crônica do evento dá mesmo mar- gens a muitas dúvidas. Roswell, Novo México — 5/7/1947 — Uma equipe de arqueólogos da Te- xas Tech University, liderada por Cur- ry Holden, chega pela manhã a essa Arari re; comprometer suas carreiras ad- mitindo que se tratam mesmo de ex- traterrestres. - ISTOÉ - Mas o sr. acredita que uma autópsia tão importante para a ciên- cia seria feita em apenas duas ho- ras? Santilli — O filme mostra de maneira muito clara um aviso afixado na sala da autópsia advertindo que o local de- veria ser deixado em duas horas. Acho que havia uma justificada preo- cupação por causa da natureza do ma- terial ou risco de radiação. ISTOÉ/1348-27805 ISTOÉ - E as alegações de que as criaturas vistas no filme não corres- pondem às descrições das testemu- nhas? . Santilli — Isso eu não sei responder. Algumas testemunhas dizem que as imagens correspondem, outras não. Mas é difícil ter certeza em relação a fatos ocorridos quase SO anos atrás. ISTOÉ - Por que só agora o filme é mostrado? Santilli - O cine- grafista guardou uma cópia do filme sem q conhecimento da Força Aérea Americana. Era um segredo mili- tar, e se cle mostrasse o filme es- taria cometendo crime de traição. Já no final da vida, ele achou que tinha a obrigação de mostrar o fil- me. E preferiu entregá-lo a uma equipe estrangeira para ter menos incômodos. Espero que em breve ele nos dê autorização para divul- gar sua identidade. Ê ars
Página 3
cidadezinha perdida no deserto do »Novo México, Vão ao escritório do xerife George Wilcox e rela- tam que haviam testemunhado, às 23h30 da noite anterior, “a queda de um avião sem asas e com uma fuselagem arredondada”, O fato mais perturbador é que, junto aos escombros do tal avião, havia cor- pos de ETs. Dois seses estavam fora da nave e outro permanecera dentro. Enquanto os arqueólogos ainda prestavam depoimento, um casal de campistas chega ao es- critório do xerife e faz um relato semelhante. As vítimas, diziam, tinham pouco mais de um metro de comprimento. Em pouco tem- po, Roswell foi ocupada por mili- tares vindos da base aérea locali- zada a 70 km do local. Eram ho- mens do 509º Bomb Group (Gru- id: o egiamento de Bombardeiros), e iri- am conduzir uma investigação, cercada de mistérios. E Roswell, 6/7/1947 - Um ofici- al do serviço de informações pú- blicas do 509º, tenente Walter Hault, se encarrega de jogar água na fervura e divulga um comuni- cado anunciando a recuperação de um “objeto voador não-identifica- do”. O mesmo Hault, tempos depois, viria a ser uma das figuras mais procu- radas e controvertidas do caso. Hoje, ele é o presidente do Museu do UFO, em Roswell, um dos estabelecimentos comerciais mais lucrativos do lugar. Vários jornalistas e pesquisadores já o desmascararam como sendo um viga- rista. Uma das inconsistências de sua história é que ele teria sido avisado, no dia 2 de julho, para preparar um E) “up press release sobre o achado do disco * voador. O acidente, porém, só ocorreu dois dias depois. O xerife Wilcox alega que foi ame- açado por militares. Ele diz que seria morto caso falasse algo sobre a desco- berta de ETs. Há também a história do major Jesse Marcel, que diz ter levado para casa pedaços do estranho metal que recobria a fuselagem do artefato. “Era um metal que não se conseguia cortar ou derreter. Quando amassado, voltava a endireitar-se em seguida”, afirma. Ele deu o souvenir para seus filhos brincarem. Nem o major nem as crianças conseguiram decifrar o que pareciam ser hieróglifos contidos nas pla- cas. Finalmente, há o depoi- o A foto mostra dois possíveis agentes da CIA conduzindo um pequeno ser de aproximadamente 80cm. Até hoje não se sabe como essa foto apareceu. O que se diz é que foi tirada em março de 1950, em local próximo a Roswell mento do papa-defuntos Glenn Dennis, que garante ter recebido encomendas para alguns caixões de criança que se- riam usados pelos militares do 509º, É bastante estranho imaginar que a For- ça Aérea americana fosse enterrar o maior achado do século. No final de tudo, a comissão inves- tigadora divulgou um relatório expli- cando que o acidente havia ocorrido, mas, em vez de objeto voador não-iden- tificado, o que tinha caído era um ba- lão meteorológico. O relatório também afirma que não houve vítimas no inci- dente. E, assim, o fato ficou registrado E Lad E Vi re RR PSP, 654185 pe PA Ê PASSEANDO COM O INIMIGO oficialmente por quase SO anos. mM Washington, DC - 15/14/ 1993 - O deputado Steven Schi- ff pede formalmente aos Depar- tamentos de Defesa e de Justiça dos EUA a reabertura de. inqué- rito sobre os eventos ocorridos em Roswell. O General Accoun- ting Office (GAO) é destacado para a missão. A escolha, segun- do o deputado, é das mais estra- nhas, visto que esse burgau é es- pecialista em investigações fis- cais. Para realizar a targfa é de- signado apenas um agente, que permanece em licença médica até janeiro de 1994, Mes a per- sistência de Schiff e de um gru- po de ufólogos, durante quase dois anos, conseguiu provas con- cretas de que o relatório militar original servira apenas para en- cobrir algumas verdades, A For- ça Aérea americana finalmente * admitiu que suas conclusões an- . teriores eram falsas e que o ob- ' jeto voador envolvido no aciden- te não era um balão meteoroló- gico. Agora, afirmam que o ar- tefato era um balão espião, que estava sendo testado para mis- sões de bisbilhotagem sobre ter- rit��rio soviético. O estranho material de que era feito — descrito por eles an- teriormente como sendo um misto de madeira balsa e alumínio laminado — era, na realidade, um novo tipo de liga capaz de burlar a vigilância de radares. E Londres, 29/3/1995 - A British UFO Research Association (Bufora) - uma organização de pesquisas sobre obje- ; tos voadores não-identificados — anun- ? cia ter evidências que provam a exis- tência de formas de vida extraterrestre. As evidências são os filmes, Eles fo- ram feitos por um cinegrafista milit americano, mostrando médicos efetus, O caso em vídeo 8 fatos ocorridos em Roswell já renderam pelo menos um filme, que não passou nos cinemas brasileiros, mas foi lançado em vídeo: O Caso Roswell, produzido em 1994 e dirigidc por Jeremy Kagan, é baseado ino livro UFC crash at Roswell, de Kevin D. Randle e Do nald R. Schmitt. O filme relata a história d major americano Jesse Marcel, que viu os ret tos da nave, mas, leal a sua patente militar, fc obrigado a aceitar a versão do Pentágono d que se tratava de restos de um balão meteort lógico. Antes de esse filme ser produzido, St ven Spielberg, notório membro da comunidar
Página 4
E cerca mem ando autópsias em cadá- veres de criaturas mortas num acidente em Roswe- h. Os filmes teriam sido entregues a “Bufora” por 4 um colecionador de docu- & mentários antigos chama- do Ray Santilli, ligado à = produtora cinematográfi- f ca Merlin Production. [bin MM Washington, final de ju. dm 1995 - Martin Mp” walker, um dos corres- É pondentes nos EUA do É al britânico The P Guardian, é um aficiona- b do por questões ufológi- | cas. Ele vem perseguin- É do o caso Roswell há h anos e chega a torcer É francamente pelos “conspiracionistas”. Assim, não é de estranhar que ele te- nha obtido o grande furo sobre os dois filmes das autópsias de ETs. O proble- ma é que, em sua matéria, ele se es- queceu de dizer que os supostos docu- mentários vêm sendo considerados Fal- sos e até primários por vários ufolo- gistas c médicos. Na sessão feita ao deputado Schiff, com uma platéia que continha muitos funcionários do gover- -. nO, médicos e pesquisadores indepen- nedentes; as reações variaram da crítica ““abalizada ao mais puro sarcasmo, Le- ARS o eg eia gro lo os analistas, demonstram a frau- - Me dos filmes. “Os instrumentos utilizados pelos médicos são corretos, mas é possível notar que são velhos. Em 1947 esse instrumental teria aparência mais nova”, aponta o médico americano Wil- h À m-se diversos pontos que, se- more. “Além disso, pude perceber que os médicos perfazendo a autópsia não eram especialistas nesta ati- vidade. Eles são claramente ci- rurgiões. Resta saber por que os militares, dispondo de todos os recursos, iriam improvisar nessa área c se utilizar de gente que não era especialista. Especialmen- te num caso de tamanha importância para à ciência”, afirma o médico. Já o funcionário Thomas Lee, do Departa- mento de Defesa, avalia: “O local mos- trado no filme, onde teria ocorrido a autópsia, nunca existiu na base da For- ça Aérea de Roswell. Os elementos mostrados no cenário não são aqueles comprados pelo Pentágono para uso nas bases”, dispara. O filmé Kodak usado nos dois do- cumentários, revela o fabricante, foram expedidos em 1947 ou em 1967. Exa- ufológica internacional e diretor de um dos filmes mais populares sobre o tema — Conta- tos imediatos de terceiro grau — já havia ma- nifestado seu interesse em realizar uma gran- de produção sobre o caso. Afinal, Spielberg é o responsável pelo mais famoso alienígena de todo universo; ET, o extraterrestre, lança- 9 do em 1982. O presidente americano, Bill 3 Clinton, chamou Spielberg à Casa Branca em À uucfevereiro de 1994 para dizer que daria total º Steven Spielberg e sua criatura: o “apoio ao novo projeto do cineasta, cedendo in- clusive imagens confi- --denciais do governo americano. mes laboratoriais vão mostrar quando tais películas foram sensibilizadas € reveladas + po- derá pôr fim à polêmica. Na Grã-Bretanha, a veracidade das cenas também não é uma una- nimidade. Pauí O'Higgins, es- pecialista em anatomia do Uni- versity College de Londres, estra- nha como foi feita a autópsia. “A julgar pelo que se vê no filme, a operação foi realizada em duas horas. Não dá para acreditar que seres tão im- portantes para a ciência tenham sido examinados de forma casual em ape- nas uma tarde”, declarou a ISTOÉ. Es- pecialistas britânicos em objetos voa- dores não-identificados também se mostram céticos em relação ao filme. É o caso de Jenny Randles. “As ima- gens mostradas no filme não corres- pondem aos depoimentos prestados pe- las testemunhas em 1947”, assegura. Enfim, como ET vende, Hollywood já arregaçou as manguinhas: o lançamento do filme Spe- cies é o primeiro dé uma onda de longas-metragens que serão lançados no início de 1996. No Brasil, o SBT também vai atacar de extra- terrestres; a emissora com- psrou dois filmes da CBS americana. Trata-se de uma série baseada em depoimen- tos de pessoas que dizem ter entrado em contato com alie- nígenas. “ Colaborou: Marcia Betoni, de Londres m +) rá vd & 3 é
Página 5
e aii rm ie PRE: nn AVENTURA “das e mistério na América Central: a história da mais evoluída -"civilização pré-colombiana ainda resiste nas ruínas da Península de Yucatán ERICA BENUTE E CAROL QUINTANILHA FOTOS), DE MÉRIDA Eram os maias astro Acreditar que um povo surgido — não se sabe exatamente de ande — há mais de três mil anos foi capaz de inventar o ca- lendário de 365 dias e seis horas, abstrair de seus cálculos matemáticos o conceito atual do número zero e ainda apresentar ao mundo o chocolate requer alta dose de imaginação. Pensar que esse povo che- gou a ter 1S milhões de habitantes, uma organização política c econômica digna dos países mais evoluídos, mas que por volta de 900 d.C. simplesmente desapa- receu da face da Terra, é coisa para os melhores livros de ficção. Baseados em inscrições (pouco decifradas ainda, é ver- dade) muitos desses livros foram mesmo a O à “sp Wir escritos, mas nenhum conseguiu desven- dar até hoje os mistérios que cercam os maias, O povo que dominou a Península de Yucatán, Sui do México, por milênios e que é entre as chamadas civilizações pré-colombianas considerada a que atin- giu maior grau de evolução. Muito se fala e pouco se prova. De concreto, sabe-se que os maias ocuparam 325 mil quilômetros de área de uma re- Bião que hoje corresponde nos cinco Es- tados mexicanos da Península de Yuca- tán (Chiapas, Campeche, Yucatán, Quin- tana Roo e Tabasco), além de parte da Guatemala, Belize, El Salvador e Hon- duras. Sabe-se ainda que sua organiza- ISTOÉ1348-2005
Página 6
Templo do Adiviaho. RAR SESI LAR ERR RITO) tres veies construtua ocupada e abandonada ção era semelhante às das cidades-estado * Aa Antiga Grécia. Sobre seus costumes € rituais religiosos, porém, fica a cargo do 3 aventureiro da século XX embarcar na Ê viagem que mais lhe parecer interessante ! através de templos e ruínas, onde não fal- t tam histórias de príncipes e princesas, deuses e demônios e até de seres inter- planetários, Afinal, uma das teses discu- tidas na região atribui a evolução do pas- sado ao contato com seres alienígenas. Além de imaginação, o aventureiro precisa de preparo físico, Depois de ven- cer intermináveis 69 degraus do Templo das inscrições, em Palenque (Chiapas), perde-se novamente 0 fôlego com a vista panorâmica que a pirâmide oferece: as té construções restauradas de um dos mais bem cuidados sítios arqueológicos mexicanos. Assim, como a maioria das ruínas maias exploradas até hoje, acredi- ta-se que Palenque tenha sido um centro cerimonial e que seu auge teria ocorrido entre 300 e 900 d.C., período definido pelos historiadores como Clássico. A con- firmação estaria justamente no Templo das Inscrições, um dos primeiros pontos a serem explorados pelos amueólogos, por volta de 1850. Lá foram encontradas es- telas (pedras marcadas com inscrições em hieróglifos) com a árvore genealógica do rei Pakál. Uma das poucas pirâmides maias fei- tas para servir de câmara mortuária, a Tumba do Rei Paká! - como também é conhecido o templo -, faz em seu inte- rior um convite tentador aos aventurei- ros: 77 estreitos degraus pirâmide abaixo que desembocam em frente à cripta de Pakál. A polêmica é sobre o esqueleto encontrado na cripta: seria de um homem de aproximadamente 45 anos, estatura aci- ma da média maia (1,75m) e sem a de- formação craniana usual entre os nobres da civilização. Pelas estelas, vários cien- tistas calcularam a idade da morte de Pakál em 70 anos. Surgem aí as especu- ações de que o corpo não seria de um rei, mas de um estrangeiro branco (há teorias de que os maias teriam vindo da África, pelo Atlântico, e não da Ásia atra- vés do estreito de Bering) ou ainda de um ser extraterrestre, já que 0 desenho gravado na tampa do caixão de pedra se assemelha a um piloto dirigindo uma má- quina com asas. Conferindo de perto o tímuto, o que se vê mesmo é um mono- lito de pedra de dois metros de largura por três de comprimento repleto de dese- nhos indecifráveis. - mael Villar Borja, diretor de operação A maior nação mexicana México possui hoje 27 milhões de índios, inseridos em sua po- pulação de 90 milhões de habitantes. Divididos em SÔ tribos diferentes; os maias formam a maior nação indíge- na do país. Nos cinco Estados da Pe- nínsula de Yucatán vivem cerca de 2,3 milhões de índios maias, que fa- Jam seis diferentes dialetos. Sua sim- ples existência seria a prova concreta de uma das teorias mais aceitas so- bre o fim do império maia: enquanto sacerdotes e governantes, detentores de conhecimentos científicos da civi- lização, teriam sido dizimados, as cas- tas mais baixas, de trabalhadores do campo, teriam sobrevivido. “Os mai- As nunca ”, garante [s- € desenvolvimento do Instituto Na- cional Indigenista do México (INN. Afonso, 17 anos, maia da tribo Lancandón, caminha todos os dias três horas até o sítio arqueológico de Palenque. Junto com seu pai, vende artesanatos feitos pela tribo. “Parei de estudar e me casei. É preciso ter fesponsabilidade e trabalhar”, diz. Sua esposa, Isabel, 15 anos, é descenden- te de espanhóis. Segundo Ismael Bor- ja, não se fala em integração indígo- na à sociedade: “Eles são & socieda- de. A maioria possui minifúndios, participa da vida política do país atra- vés do voto (não obrigatório em todo o México) e seu índice de alfabetiza- ção é de 60%.” De maias mesmo, preservam o idioma, o respeito so sa- cerdote - espécie de médico e líder espiritual — e a indiscutível herança física: baixa estatura, pele escura € dentes pouco cuidados. - vm
Página 7
jo Aga pu po cetiimia rt ds pia * da obrigatória é em Uxmal, A maior concentração de centros cerimoniais, a maioria em estilo Puuc e pertencente ao mesmo pe- ríodo clássico dos maias fcansiderado o apogeu da civilização), está no Esta- do de Yucatán. Partindo-se da capital Mérida, a para- cidade que, diz a lenda, foi três vezes construída, três vezes ocupada e três vezes abandonada. Explicação ar- queológica: seu edifício central, chamado Templo do Adivinho, apresenta construções sobrepostas, cujas respectivas inscri- ções comprovariam sua ocupação em diferentes períodos — 800 a.C., 100 d.C. e em 700 d.C. Como não é possível entrar nes- sa pirâmide c checar a sobreposição, res- ta ao aventureiro a explicação básica: o me Uxmal em maia-yucateco signifi- cá três vezes (ox = três c mal = vezes). om três conjuntos de edifícios dis- tintos, esse sítio arqueológico de 20 quilômetros quadrados traz duas das mais encantadoras histórias do reino maia. O Templo do Adivinho, de 26 metros de altura c base elíptica, é o maior em dimensão da Rota Maia. Recebeu esse nome porque, segundo & crença dos nati- vos, teria sido construído em apenas uma noite por um misterioso anão que atingiu a idade adulta rapidamente, depois de sair do de Mayapán prometida em casamento ao príncipe de Uxmal, foi raptada no al- tar por seu verdadeiro amor: o príncipe da então poderosa cidade de Chichén-ltzá. Do altas vazio à praça de guerra, fot ques- tão de dias. Se o início dos conflitos teve mesmo esse estopim, nenhum antropólo- go garante. Mas que foi por volta dessa época que as três cidades iniciaram seu declínio, isso as inscrições nas estelas en- contradas nessas ruínas comprovam. A lenda de Sag-ni-té é contada todas as noi- tes ao ar livre em Uxmal durante um es- petáculo de luz e som, que inclui históri- as religiosas e um culto a Chaak, o deus da chuva. Maior realismo pode ser obti- do nos espetáculos de junho a setembro — período de verão e noites chuvosas. Acreditando que o mundo era plano e a vida durava do nascer ao pôr-do-sol, os maias de Uxmal criaram dois símbolos no conjunto conhecido como Quadriláte- ro das Monjas: o edifício da Vida (ou Leste), que tem sua fachada iluminada pelos primeiros raios da aurora, e o edifl- cio da Morte (ou Oeste), que recebe os últimos vestígios do dia. Completando o sítio de Uxmal, há o terceiro conjunto composto pela Grande Pirâmide e pelo Palácio do Governador. Sem paralelismo com nenhuma outra construção de Ux- mal, há poucas décadas se descobriu que da casca de um ovo. O que a ciência conta é que era nesse templo que os sacer- dotes de Uxmal elaboraram complexos estudos mate- máticos e previsões para os períodos férteis de plantio -f Colheita. Para chegar ao topo da pirâmide, não é pre- ciso subir os 300 degraus da majestosa fachada. A es- calada ideal é pela parte de trás, que, apesar de mais fn- greme, tem menos da me- tade dos degraus da parte frontal e oferece uma pro- vindencial corda presa a ca- bos de aço. De guia em guia tam- bém corre a história de que o declínio do império maia teve ali seu início. Tudo porque a princesa Sag-ni- té, herdeira da cidade-esta- Mucho que ver contigo m dos principais destinos do mundo, o México aposta agora nas rotas ecológicas, arqueológicas e coloniais para atrair especialmente o viajante latino-americano, Dados da Secreta- ria de Turismo dão conta de que US$ 6 bilhões são movimen- tados todos os anos pelo turismo, o terceiro item em volume € importância na composição do PIB mexicano. Deste total, 85% são deixados por turistas americanos, 10% do Canadá e da Europa e apenas 5% dos países da América do Sul e Central, E é com a campanha publicitária México, mucho que ver con- tigo, a primeira na história mexicana feita exclusivamente para seus vizinhos continentais, que o Intergrupo Mercolatino (pool de agências de vários países que tem tua representação brasi- leira nas mãos da carioca Denison-Rio) pretende atrair a aten- ção dos Iatino-americanos. Serão peças diferenciadas para os 18 países-alvo. No Brasil, a movimentação começa em agosto com pesquisas de imagem junto às agências. Outdoors, filmes publicitários e mídia impressa têm sua estréia prevista para dezembro. A campanha começa por Cancún para depois apre- sentar aos brasileiros as opções turísticas do país — de Aca- pulco a Los Cabos, passando por rotas arqueológicas. o ângulo que foi construí- do o palácio corresponde a um alinhamento perfeito com o planeta Vênus. A cerca de 30 quilôme- tros, em Kabah, um peque- E no conjunto de ruínas ain- da pouco restaurado pode ter sido uma espécie de po- A voado da cklade-estado de: Uxmal. O ruína principal de Kabah, tem “toda a sua fachada coberta por 250 máscaras do deus Chaak (figuras com uma tromba de elefante). Pes- quisadores acreditam que os hieróglifos contidos nas máscaras indicavam a quantidade de chuva de cada período do ano e se- riam, assim, & prova de que Kabah nada mais era que o centro clentífico de Ux- IsTOÉNHA-206
Página 8
"a mal, Contribuem para essa teoria as salas no interior do palácio com representações e estudos de Vênus. Antes de chegar a Chichén-ltzá, & maior cidade maia, passa-se por Izamal, uma cidade colonial espanhola cuja triste notoriedade foi ter abrigado frei Diego de Landa, o bispo espanhol que ali cons- ftruiu uma das primeiras catedrais católi- cas do México conquistado — justamente sobre um antigo templo maia, a exemplo do que também ocorreu com a catedral de Mérida. Várias torres das duas igrejas apresentam pedras calcárias, tipicamente maias, com hieróglifos. Coube também ao bispo De Landa acabar com qualquer vestígio documentado dessa sociedade: preocupado com alguns rituais, evidente- mente hereges para os padrões da igreja de Torquemada, fez de todos os livros maias uma enorme fogueira. obre sacerdote. Foi para a histó- ria como vilão. Não se deu conta nem mesmo da ironia esportiva que envolvia os maias. Para eles, muito antes do barão de Coupertin e de seu fairplay, o esporte era uma entrega divina. O jogo, batizado apenas de pelo- tas, era uma espécie de basquete mescla- do com futebol e consistia em duas equi- pes com número variável de participan- tes de sete a 40, O objetivo era passar uma bola de borracha maciça por uma argola. O capitão da equipe vencedora, o STOÊNIS-2805 q Dunga da época, recebia como prêmio e distinção a degola da cabeça, depois ofer- tada aos deuses. E, por falar em deuses, os maias cultu- avam centenas deles: um para cada dia do calendário de 365 dias; um para cada um dos 18 meses; um para cada dia do calen- dário religioso de 260 dias; um para cada um dos 13 meses desse calendário; um para o calendário de 52 anos e outro para cada coincidência desses dois calendários, que, como numa engrenagem, iniciavam- se no mesmo dia a cada 52 anos. O maior campo de Jogo de Pelotas, assim como a representação pictórica dos calendários maias, está em Chichén-lizá. A Pirâmide de Kukulcán ou El Castillo, com 26 me- tros de altura, é o símbolo maior dessa contagem de tempo. Os dias, meses c o ciclo duplo dos calendários estão retrata- dos nas escadarias da pirâmide, que, & cada equinócio, reúne mais de 30 mil pessoas para ver o espetáculo calculado milimetri- camente pelos maias: os de- graus do lado norte da pi- râmide entro 15 c 17 horas dos dias 21 de março c 21 de setembro são iluminados por uma angulação do Sol. Lentamente, os degraus se transformam num corpo de uma serpente, cuja cabeça está esculpida na base da pi- râmide com a boca voltada para a Terra. Como ido para os maias era matemati- camente religioso e vincu- lado à produção, o espetá- culo para eles significava fertilidade — nada mais que o tempo de plantar o milho. Com dez quilômetros quadrados, o sítio arqueo- lógico de Chichén-ltzá é o que tem maior número de ruínas restauradas. São mais de 40, e entre as fa- mosas estão o Templo das Mil Colunas, o Templo Norte ou Mercado e o Ob- servatório. A aventura aqui acaba sendo conseguir es- capar ileso, por um dos ca- minhos que levam à saída, do incessante assédio dos inúmeros ambulantes-mai- as vendendo souvenirs — Chichén-ltzá é o único lu- gar em que a presença dos camelôs é permitida den- tro dos limites do sítio. Se a parte norte de Chi- chén-ltzá apresenta grande º influência tolteca, civiliza- ção menos evoluída cientificamente e que aparece na península logo após a deca- dência maia, é em Tulum, no litoral de Quintana Roo, que esses comerciantes do México pré-hispânico mostram sua for- ça. Se estabelecem numa cidade típica portuária que é delimitada por um muro construído a 600 metros da praia ao lon- go de seis quilômeiros pela costa. O muro, apesar de desgastado, ainda está lá e mos- tra que da convivência com os maias os toltecas aprenderam pouco de seus co- nhecimentos anquitetônicos e culturais. As edificações são simples e raros são os objetos decorativos encontrados nesse sí- tio, o segundo mais visitado de todo o México. A seu favor, porém, Tulum tem um aliado indiscutível: o tom azul-verde- cristalino do mar caribenho, que contras- ta com as ruínas cinzas (aqui, em pedra basáltica) oferecendo um cenário único, digno mesmo do descanso dos deuses - e aventureiros - do mundo maia. s 4 ç :
Página 9
Ufólogos e etólogos proliferam no Brasil, como de resto, em todo o mundo. A divul- gação do filme do Caso Roswell, na melhor das hipóteses, deixou esta comunidade, que se espalha por todo o território nacional, com- pletamente excitada. Ademar Gevaerd, o presidente do Centro Brasileiro de Pesqui- , sas de Discos Voadores (CBPDV) e edi- tor da revista UFO, produzida ! em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, por exemplo, ' lembra que no Congresso de á Ufologia de Las Vegas, em 1994, circulou a notícia de que * os filmes comprados por San- tilli iriam se tomar públicos. Nesse encontro, assumiu-se a convicção de que o governo z d faria uma série de re- «* vosações sobre extraterrestres até o ano 2000. “O govemo está tentando se- gurar água com as mãos e o líquido está escorrendo em quantidades cada vez maiores.” A frase teria sido proferida por um agente governamenta! ame- ricano, um daqueles sotumos personagens de filmes “B” de ficção científica, ao próprio Ge- Covo: ulólatras tiram o Cristo do altar e rezam para um disco voador 112 E E ee ARX. O FAZENDEIRO É CAPTURADO POR ALIENÍGENAS Contatos tronicais [E O Caso Roswell excitou os ufólogos brasileiros, que esperam novas revelações até o ano 2000 8 ALESSANDRA NAHRA, CLÁUDIA PINHO E GISELE VITÓRIA vaerd, A divulgação do Caso Roswell, na opinião do ufólogo brasileiro, 33 anos, po- deria ser uma manobra da Casa Branca, interessada em preparar a opinião pública mundial para revelações ainda mais sur- preendentes. Esta opinião é compartilha- da também pelo engenheiro Claudeir Covo, presidente do Centro de Estudos e Pesquisas Ufológicas no Brasil, um dos mais renomados pesquisadores brasileiros. Que segredos, afinal, os americanos escondem? Para os ufólogos brasileiros, provavelmente, nada de mais diante de tantos casos já registrados de contatos com alienígenas. O próprio Covo, que há 29 anos pesquisa UFOs, ressalva que dos 90% dos casos divulgados sobre discos voadores e ETs, 25% são fraudes desca- radas, 65% são erros de interpretação de fenômenos físicos. Apenas 10% seriam evidências de algum valor científico. E ca- sos de contatos no Brasil não faltam. Covo possui um acervo de quatro mil fotos de objetos voadores não convencionais, além de mais de 300 horas de gravações de de- poimentos de pessoas contando casos. O mais conhecido, segundo os ufólo- gos, envolve o fazendeiro mineiro Anto- nio Vilas Boas. Em 1957, atraída pela sensualidade jatente dos brasileiros, uma extraterrestre teria mantido relações se- xuais com ele, dentro de uma nave espa- cial, sob olhares atentos e perplexos de humanóides. Para romper um eventual bloqueio mental do fazendeiro, re terrestres teriam lançado mão de cimentos profundos de telepatia erótica. E, para felicidade geral da Nação, Vilas Boas não negou fogo, nem mesmo com uma marciana, que, segundo ele, emitia grunhidos indecifráveis. Outro caso fa- moso foi o da nave que em setemibro de 1957 estatelou-se no litoral o de Ubatuba, no litoral paulista. Fragigentos da nave foram resgatados por pescadores e enviados ao colunista social Ibrahim Sued. Sem saber direito o que fazer, Sued encaminhou as amostras para o Labora- tório de Produção Mineral, no Rio de Ja- neiro. A conclusão oficial é de que se tratava de magnésio puro, em alta con- | centração, substância que não existe pura 4 na natureza terrena. Estas experiências com ETs e UFOs não raro adquirem cores dramáticas. Ade- mar Gevaerd ressalta que há inúmeras ci- vilizações visitando a Terra. E confiden- cia: “Na verdade estamos sendo invadi- dos por civilizações mais avançadas”, Ele pondera entretanto que evolução tecno- ISTOÉNI4S-210/05 a
Página 10
a orem ram = orar a np ee a ee reg 7 lógica não quer dizer necessariamente esstvção moral e ética. Não que os ETs jam todos uns tarados a sobrevoar a 'erra em busca da realização de suas fan- tasias sexuais. Na verdade, o ufólogo ex- plica que os terráqueos seriam como co- baias dos laboratórios interestelares. “Al- guns extraterrestres estão mutilando se- res humanos e animais”, garante, Em al- guns casos, mulheres estariam sendo le- vadas para dentro das naves € insemina- das artificialmente, Não se lembram de nada ce aparecem grávidas, Três ou qua- tro meses depois abortam misteriosamente co feto se desintegra. Há depoimentos de pessoas que juram por todos os aste- róides que viram fetos in vitro dentro das naves espaciais. Pode soar fantástico demais. Mas os pesquisadores brasileiros informam que dados da comunidade intemacional de ufólogos garantem que 250 mil pessoas “4,fnram sequestradas por extraterres- E 133 países, uma população igual, exemplo, à cidade de Araraquara no interior de São Paulo. Outros dados as- seguram que 10% a 12% dos contatos são com seres amistosos, do tipo o ET de Steven Spielberg (minha casa... tele- fone....). A mesma porcentagem de con- -tatos seriam com seres cruéis e malva- dos, como os klingons do seriado Jor- nada nas estrelas. Para desespero dos ufólogos, 80% dos contatos são com ETs que não estão nem aí para a huma- nidade, não são bonzinhos nem malva- dos. Ainda segundo estas informações, o governo americano teria resgatado, nos últimos 40 anos, entre 40 e 50 cadáve- res de ETs e cerca de dez ou 12 criatu- ras vivas. O problema é que sem visto, e não tendo como deportar estes imi- grantes estelares, as autoridades ameri- GANAS teriam criado instalações climati- Zacás, com acompanhamento psicoló- gico, linguístico e sanitário para abri- gá-los, Um desses seres teria consegui- do sobreviver por seis meses, confor- ISTOÊnI4S-2/806 me o depoimento convincente do agente da Marinha dos Estados Unidos, Milton William Cooper. Segundo Claudeir Covo, cer- ca de 37% da população brasi- leira acredita em vida fora do planeta. Mas ressalva: “No Bra- sil o que não faltam são ufófilos. O problema é quando eles se tor- nam ufólatras, tiram o Cristo do altar e passam a rezar para um dis- co voador.” O presidente do Gru- po Ufológico do Guarujá, Edison Boaventura Júnior, 29 anos, é um dos que acreditam que a forma huma- nóide dos ETs significa que se tratam de seres humanos do futuro que vol- tam ao passado em busca de soluções para as suas civilizações. Isso explicá- ria, segundo ele, os casos de implante de pequenas esferas no cérebro de pes- soas abduzidas (sequestradas por ex- traterrestres e devolvidas ao convívio com os humanos). Estes humanos, quando retornam, sentem náuseas, pas- sam a ter medo do escuro, sangramen- to no nariz e zumbidos nos ouvidos. Isso, sem falar nas cicatrizes e marcas de queimadura, geralmente em forma de VouW. Contatos com naves espaciais no Brasil não poupam nem mesmo os po- líticos. Em maio de 1986, 21 objetos não-identificados foram avistados sob o céu de São José dos Campos, Eram bolas de luzes alaranjadas que se moviam de um lado para ou- tro. Durante três horas, os pi- UFO ou sonda? paulistana Rose Rago es- tava passeando em Curi- tiba com o marido, no verão de 1991, quando passou por uma experiência que Os ufólo- gos classificam como um con- tato imediato de zero “grau, “Olhei para o alto e avistei uma bolinha meio prateada e meio dourada.” Era um sábado, oito horas da manhã, um dia antes de o Iraque bombardear Isracl na guerra do Golfo — époça em que foram registradas mui- tas aparições de UFOs. “Pensei que era um satélite, depois que era um ba- Vo,” Como estava com a câmera de vídeo, o casal gravou imagens da es- fera. “Quando chegamos ao hotel, ven do pela tevê, tive uma surpresa muito grande, porque parecia um disco yoa- ARX. 400, p. 1040 lotos da Força Aérea Brasileira ten- taram interceptar os objetos. Em um dos aviões estava o coronel Ozires Silva, que acabava de ser nomeado presidente da Embraer. Felizmente as naves eram tripu- ladas por ETs do bem e não hou- ve maiores consequências. Aliás, a relação dos UFOs com o poder, pelo menos no Brasil, é bastante curiosa. Entre 1968 e 1975, o ufó- logo brasiliense Roberto Beck, fun- cionário aposentado da Caixa Eco- nômica Federal, conta que integra- va um grupo que se reunia quase todas as noites numa fazenda em Alexandia, no entomo de Brasília. Depois desse período, as espaçonaves desaparece- ram. Voltaram em 1977 na estrada que liga Brasília a Unaí (MG). Após a pos- se do presidente Sarney, em 1985, os UFOs teriam sumido novamente. À úl- tima vez que o fenômeno ocorreu, foi relatado por policiais do presídio da Papuda, em abril de 1991. Tratava-se de um objeto redondo, de aproximada- mente 25 centímetros de diâmetro e de cor alaranjada. No dia seguinte, o Mi- nistério da Aeronáutica comunicou tra- tar-se unicamente de um balão mete- orológico. Afinal, o que uma nave de ETs iria querer em um presídio como a Papuda? n € aram: Eliane o, Rio, e Patr! Andrade, Brasília dor.” De volta a São Paulo, Rose pro- curou Claudeir Covo, especialista em ufologia. Como não havia nenhum balão meteorológico na área naquela época, ele chegou ao veredicto; o ob- jeto de três metros de diâmetro era provavelmente uma sonda alieníge- na, não se sabe se tripulada ou não. “Fiquei arrependida de não ter fica- do mais tempo filmando, ou pelo me- nos observando. Na hora nem me ocorreu que poderia ser um Ufo". “a
Fonte: Arquivo Nacional, fundo Objeto Voador Não Identificado (SIAN) — código de referência BR DFANBSB ARX.0.0.400.