História de disco voador.
1969 · Local não identificado · Ministério da Aeronáutica
- Código de referência
- BR DFANBSB ARX.0.0.90
- Período
- 1969
- Local
- Local não identificado
- Órgão
- Ministério da Aeronáutica
- Documentos
- Recorte de imprensa
- Páginas
- 1
Resumo do caso
conteúdo editorial do siteRecorte de imprensa datado de 4 de maio de 1969, preservado no Arquivo Nacional, que integra o fundo documental sobre objetos voadores não identificados reunido pelo governo brasileiro. O título "História de disco voador" é empregado de forma figurada pelo articulista, que usa a expressão como metáfora para relatos sem fundamento, e não como registro de um avistamento: o texto é um comentário político-econômico sobre o Estado de São Paulo, discutindo percepções de crise financeira que o autor considera infundadas. O artigo menciona o governador Abreu Sodré e negociações de investimentos com o Banco Mundial, argumentando que a prosperidade paulista era real e que os alarmes de colapso econômico equivaliam, em sua visão, a histórias de disco voador — ou seja, fantasias sem respaldo na realidade.
Documento digitalizado
Ative o JavaScript para folhear todas as páginas e usar o zoom.
Transcrição automática (OCR)
Texto extraído automaticamente dos documentos digitalizados — pode conter erros de leitura. O scan original prevalece.
Página 1
VÁRIA 4 MA] 1969 NSIsa Bm História de disco voador A sensação de iminente peri- go que se apodéra dos muito feli- zes tem, sem dúvida alguma, uma razão de ordem psicológica. Não é estranha à natureza humana, mar- char lado à lado com o tédio dos muito poderosos e muito sacijados . O poeta Manuel Bandeira, em seu “Nitzcheana” nos deu unha lidéia clara dêsse sentimento: “Ai, meu, pai, que me esmaga a sensação do” nada. / E ela reluzia com tôdas às cintilações. do êxito intacto”. ; Pois aí vemos São Paulé, em pleno êxito, região tão altêmente desenvolvida que poderia gituar-se — se fôsse um país —fentre os mais prósperos do mupído, vemos/ São Paulo fazer-se .alvô dêsse sei timento de catástrofg, que Eee ma a realidade numê assusta miragem, transfigurêndo o progres- so em colapso econômico. ote-se bem: o observador'não memte, não percebe sequer o engano? Traido pela ilusão das imagens Que o seu espírito inventa, descolfre indicios de crise nas calças curtês do robus- to meninão em fase crescimen- to, vê por tóda parte fobstáculos ao desenvolvimento, como o paranói- co vê inimigos nas faces amigas que o cercam e procuram ajudá-lo. Trata-se simplesmente da vo- cação do abismo. Pascal a conne- cia bem, mas sabia lutar contra a assombração. Nem todos têm, po- rém, a fôrça lógica de Pascal e é justo que os desculpemos. reco- nhecendo a sua boa intenção em advertir os passantes do perigo ine- xistente. Devemos agradecer-lhes com a condescendência reservada aos supersticiosos que não nos, dei- xam passar debaixo das escadas: afinal a ameaça poderia ser real, tata de tinta pingando ou martelo que escapasse das maos do operá- rio. Mau governante aquêle que diz — não me dê conselhos, sei errar sôzinho. Antes deveria di- - zer: aconselhai, aconselhai, sempre aproveitarei alguma coisa. Pois é o que está acontecen- do no caso da fantasiosa crise de São Paulo. A atoarda serviuipara que o governador do Estado viesse a público fazer um balanço da st- tuação e reconhecer que tudo vat Bem,-embora não vá no melhor dos mundos.” O melhor dos munaos. ponderou o sr. Abreu Sodré, seria aquêle em que os serviços públicos estivessem acompanhando pari pas- sir o extraordinário desenvolvimen- to'da economia paulista. Se há at» guma deficiência é porque esta- mos crescendo râpidamente demais e nossa preocupação é que a roupa nova não fique pronta a tempo para irmos à grande festa do a 2000, onde queremos apresentar- nos com uma fatiota bem talhada, diferente daquele traje de mui caipiratque o senhor Kahn nos aus qura em sua futurologia . DesfaZ-se assim a nuvem que alguns tomaram por Juno, esqueci- dos de que a primeira condição para obter um bom empréstimo num banco e, especialmente. em urm estabelecimento que exige as garantias do Banco Mundial é ter crédito; e êste tem sua origem na boa situação econômico-financeira do sacador. A velha tirada que ge- fine o banco. como a casa que em- presta dinheiro desde que você prove que não precisa não é de todo sem razão. Por isso mesmo, onde se vê motivo de alarma te- mos, antes, sobejos motivos de tranquilidade, Se o senhor Abreu Sodré tem a coragem de pleitear do BIRD investimentos maciços no setor dos serviços públicos de São Paulo e se à senhor McNamara consídeta a pretensão digna ae atenção e cuidadoso estudo é por- que ambos têm confiança na eco- nomia do Estado. O governador não seria jamais tão inconsequen- te, do ponto de vista politico ou administrativo, que pretendesse endividar as finanças estaduais pa- ra a realização de uma obra culos resultados dificilmente aproverta- ram à sua gestão, E o presidente do Banco tem mais que fazer do que perder tempo com propostas mirabolantes. A verdade é que São Paulo, cada dia-mais reluz com as cintita- goes de um progresso Invejáve!. Hó até quem o acuse de colonialis- mo, em relação aos seus irmãos do Norte, para não nos referirmos 4 queixa, bem menos veemente, dos gaúchos apreensivos ante a desca- pitalização trazida pela disparida- de entre os preços dos produtas agricolas e industriais. Sem dúvida eiguma, numa economia em ex- pansão, como é a do Brasil, sempre . há pequenos motivos de inquieta- ção. As restrições de crédito com que lutam os pequenos empresa- “rios, as dificuldades da rêde bancá- ria que estão sendo objeto de um debate franco com as autoridades monetárias, a inflação ainda não de todo contida, as deficiências na comercialização. não deixam ds causar fundadas preocupações. Mas daf a prenunciarmos o colapso total, a bancarrota estadual, o “crack” dos negócios, vai uma grande distância. Bem ao contrá- rio: quando examinamos a eco- momia do Pais como um todo, q panorama é dos mais animadores. E as côres mais brilhantes situdm- se precisamente no planalto pa aulis- ta. O senhor Abreu Sodré toi par» ticularmente feliz ao esclarecer: “Nenhum Estado pode estar sob ameaça de colapso econômico e du- plicar os investimentos, conceder isenções tais e registrar pela. pri- meira vez em muitos e muitos anos, um superavit orçamentário como São Paulo. A economia não vai apenas bem, vai Otimamente. Nossa situação financeira não está apenas boa. Está excelente. “E os brasileiros aoreditam no que diz. o. governador, porque es- tão vendo que as palavras corres- pondem à realidade. Basta ver a in- diferença com que o mercado do Rio e de São Paulo acolheu a alar- mada manchete. Leu, como que fê notícia de disco voador. Com aquêle bom sorriso que amêniza as canseiras de quem não pode perder muito tempo em ficção por- que há muito que fazer: São Pau- lo não pode parar, nem o Brasil. Apr DO, ps 4/4 A
Fonte: Arquivo Nacional, fundo Objeto Voador Não Identificado (SIAN) — código de referência BR DFANBSB ARX.0.0.90.